2/27/2011

Cardápio

 Estou passando por um momento de desentendimento com meu sistema digestivo. Ele insiste com essa birra de “tolerância a lactose” e gastrite. Tenho passado maus momentos quando insisto em chocolate, refrigerante, bebidas alcoólicas, frituras e leite no geral. Quando digo “leite no geral” estou me referindo a queijo, (isso mesmo, aquele aperitivo que faz toda a diferença em qualquer refeição), sorvete, bolo e até aquele iogurte que não valorizo muito. 

Imagine um mês escolhido para ter todas as comemorações possíveis, diante aquelas poderosas mesas recheadas de toda glicose que você sempre sonhou;
Aqueles quibes recheados conversando com você e implorando para serem banhados por suco de limão e acompanhados por aquele chopp gelado;
Aquele bolo com calda de cenoura (que só a sua mãe sabe fazer) te esperando depois daquela dia onde sua alimentação prazerosa foi à última coisa que você se preocupou. 
Tendo que contentar-se com suco, água, refeições que não levam tempero, torradas acompanhadas de ricota (coitada de mim se ousar em uma geléia, manteiga ou patê) e sopinha sem sabor. Não é para qualquer um.

Essa abstinência me fez pensar (sofrer) e decidir mudar esse preceito. Vou cozinhar, ou melhor, tentar. De preferência comidas que me lembram finais de semana ou me dêem prazeres múltiplos. Claro, acompanhada de um bom tratamento para gastrite.

Confesso que nunca valorizei meus dotes culinários. Nunca fui de cozinhar. Viro-me bem, quando necessário, com o famoso ovo frito, arroz e nuggetes acrescentando um tomate para desencargo de consciência. Acho que os alimentos industrializados são uma resposta positiva a modernidade. 

Eu acho o auge da sofisticação essas pessoas que cozinham por hobby e para sair da rotina saboreiam um belo prato, banhado de vinho ou champagne, acompanhado por uma roda de amigos e um belo fundo musical.
Esse ano deu até para acompanhar o restaurant week. Oportuno para estragos na balança. 
 
Quando aquela necessidade de ativar minha sensação de prazer bater na porta, resumirei-me em 
prato de entrada, prato principal e sobremesa.

Mayra Rodrigues

2/25/2011

Não deixa de ser lasanha.

Em conversa com meu amigo imaginário John (porque é assim que o chamo), defini algumas normas de convivência.
Um grupo "vinga" quando o foco é o mesmo ou quando os integrantes tem a mesma idade?
Nem um, nem outro. Defino foco como uma série de componentes, obscuros às vezes, que pra você é um objetivo, obrigação ou até mesmo hobby. Impossível igualar objetivos. Medir intensidade.
Coincidir os objetivos é real. Impossível é encontrar componentes que levaram aqueles objetivos tornarem-se iguais. Quanto a idade...
Analisando uma sala de aula chego a conclusão de que nem todos tem a mesma idade mental devido fatores pessoais de cada aluno. Uns foram obrigados a crescer, outros obrigados a prolongar a vivência do jardim de infância. Sem esquecer os alunos que por opção curtem a vida infantil de não ter que enfrentar o mundo lá fora. Eles na escadaria da vida montaram seus primeiros degraus e por lá estagnaram.
Vai que a vista de lá é boa? E que construir(subir) mais, é inseguro e eles tem acrofobia, não é mesmo?
Para lidar com o excesso de diferenças, forjo uma personalidade forte e implacável.
Com o tempo o amadurecimento vem, e o que antes me trazia imensa alegria, hoje não me desperta a mente. Então aceito minha mudança diária para compreender as diferenças do próximo.
Gostaria de ter um manual de como despertar e adormecer com bom humor controlando minhas emoções. Creio que todos deveriam ter um. Olha que o John concorda. Pra ser sincera ele nunca se manifesta contra minhas loucuras.
Existem coisas e pessoas que quando cogito a existência sinto uma leve náusea.
Mas penso: - Eu com minha aceitação pessoal, portadora de tal personalidade, com certeza desperto essa mesma sensação em alguém.
Por tanto, engulo como aquela parte mais durinha da lasanha que já está sem recheio e requentada;
O John grita no ouvido: Não deixa de ser lasanha!
O melhor é silenciar. Concordar quando convém, mas fazer uso da imparcialidade.
Sem bancar o texto auto-ajuda, mas tudo tem seu lado bom. O grandioso fato de exaltar meu crescimento, já me sacia. Aos poucos vou criando o meu próprio manual para driblar os "perrengues" do cotidiano.

Mayra Rodrigues

2/16/2011

Flores

"Me perguntas por que compro arroz e flores?
Compro arroz para viver e flores para ter algo pelo que viver."
Confúcio